XV JOGOS PAN-AMERICANOS RIO 2007
Rio de Janeiro
13 a 29 de Julho de 2007



A abertura dos Jogos Pan-americanos foi celebrada no Estádio do Maracanã, com uma grandiosa festa para um público estimado em 75 mil pessoas. O esporte, motivo de todo esse aparato, como sempre uniu povos, raças e credos em um mesmo evento, nos dando muito orgulho e provando mais uma vez que não existe caminho melhor para ser seguido. O resultado não poderia ter sido diferente, se não o sucesso absoluto em todas as modalidades e em todos os locais onde houveram disputas. O público, sempre presente, participou lotando os estádios, ginásios e arenas, para acompanhar de perto os seus ídolos ou simplesmente prestigiar a modalidade favorita. Os atletas, verdadeiros donos do espetáculo, não decepcionaram e deram um exemplo de garra, técnica, determinação e, acima de tudo, união e integração.

A Dojô, única revista brasileira direcionada a lutas credenciada para cobertura do Pan, acompanhou as 32 medalhas conquistadas na luta e relata a seguir o desempenho dos atletas nas 5 modalidades disputadas.

A luta estreou nos Jogos  com o Taekwondo e foi através desta modalidade que o Brasil  conseguiu a primeira medalha de ouro. A conquista veio no segundo dia de competição do Taekwondo, na categoria até 68kg, com o atleta Diogo Silva derrotando na final o peruano Peter Lopez, para ficar com o lugar mais alto do pódio. A campeã mundial de 2005, Natália Falavigna, principal atleta da modalidade no Brasil, enfrentou a mexicana e atual campeã mundial, Maria Del Rosário Espinoza e após um duro duelo, decidido somente no Golden Point, ficou com a medalha de prata na categoria acima de 67kg; Marcio Ferreira também foi prata na categoria até 58kg, enfrentando o dominicano Gabriel Mercedes na final e Leonardo dos Santos conquistou o bronze na acima de 80kg, ao perder a semifinal para o venezuelano Luis Nogueira.     

No  total, o Taekwondo conquistou quatro medalhas, sendo uma de ouro, duas de prata e uma de bronze.

Os judocas vieram em seguida e com eles um grande número de medalhas, treze no total. Com um Judô de alto nível técnico, sendo a maioria das lutas vencidas por ippon, os atletas deram um show e assumiram um lugar de destaque na competição. A equipe feminina mostrou-se homogênea e com um Judô afiadíssimo, chegando as finais em várias oportunidades e através das atletas Danielli Barbosa, Danielle Zangrando, Daniela Polzin, Éricka Miranda, Edinanci Silva, Mayara Aguiar e Priscila Marques, obtiveram um aproveitamento de cem por cento. 

No masculino, da equipe formada por João Gabriel, Tiago Camilo, Flávio Canto, Alexandre Lee, Luciano Corrêa, Leandro Guilheiro e João Derly, apenas o carioca Flávio Canto, lesionado, não subiu ao pódio. Medalhista de bronze em Atenas 2004, Flávio Canto subiu no tatame para competir no terceiro dia do Judô no Pan, ovacionado pela torcida. Flávio passou na primeira luta pelo cubano Oscar Cardenas, mas na semifinal contra o americano Travis Stevens teve que abandonar a luta, após machucar o cotovelo na defesa de uma tentativa de queda do americano. Flávio Canto foi levado ao hospital Barra D'or, onde foi constatada uma luxação no cotovelo direito.

Tiago Camilo foi o primeiro a trazer o ouro para o Judô e com um gostinho especial, vencendo o cubano Jorge Benavides por ippon. O paulista, além do apoio da torcida, contou com a presença da mãe e do irmão no Riocentro.
"Elevar o judô brasileiro a este patamar não tem preço. É uma sensação maravilhosa", disse Tiago.

Edinanci Silva completou a alegria da torcida que lotou as arquibancadas da arena do pavilhão 4A do Complexo Esportivo Riocentro, batendo à cubana Yurisel Laborde na final. A paraibana chorou muito ao lembrar do acidente aéreo com o Airbus da TAM em São Paulo e dedicou o título aos parentes e amigos das vítimas.

"É doloroso perder entes queridos, ainda mais desta maneira. Eu me coloco no lugar deles", disse Edinanci.

Danielle Zangrando venceu a americana Valerie Gotay por koka, para ficar com o ouro e dedicou a medalha aos familiares e a equipe médica que a ajudou a competir. 

"O Wagner Castropil e o Nilton Petroni, o Filé, foram fundamentais na minha recuperação. Gostaria de dedicar essa medalha também aos atletas que treinam comigo e me ajudam para que eu possa estar sempre preparada para eventos importantes como esse", diz Danielle.

No último dia de competição foram conquistadas mais quatro medalhas através dos atletas: Alexandre Lee, João Derly, Daniela Polzin e Érika Miranda. Alexandre Lee fez um combate parelho com o peruano Juan Postigos, atacou mais e ficou com o bronze; Daniela Polzin disputou o ouro, enfrentando a cubana Yanet Bermoy em luta disputadíssima, decidida nos últimos segundos a favor da cubana, por ippon. Em mais uma final entre Brasil e Cuba, Érika Miranda e Sheila Espinoza protagonizaram uma das melhores e mais polêmicas lutas do evento, movida pela raça, técnica, equilíbrio e muita emoção, tão equilibrado que precisou de um tempo extra, além do regulamentar para definir a disputa. O combate terminou empatado no tempo normal e seguia bastante equilibrado no tempo extra, numa luta limpa e disputadíssima, podendo ser vencida por ambas, quando, após as atletas terem levantado de uma tentativa de queda da brasileira, o árbitro central pediu que Érika arrumasse o kimono e ergueu a mão em direção a atleta cubana, lhe dando a vitória, para a surpresa e desespero de todos.

O público reagiu imediatamente com uma ensurdecedora vaia, indignados  os torcedores atiraram objetos e literalmente expulsaram os juizes do ginásio. Ao passar em frente à arquibancada da tribuna de honra, os juízes juntamente com a atleta de cuba e seu treinador, também foram atingidos. Membros da delegação de Cuba que acompanhavam a luta no mesmo local, não gostaram da manifestação, protestaram e o tempo fechou, sendo preciso à intervenção da Guarda Nacional. O evento foi paralisado por uma hora e o público não parava de se manifestar, impedindo inclusive a realização da cerimônia de entrega de medalhas. Os atletas brasileiros da equipe masculino e feminino entraram no ginásio e pelo microfone pediram calma e compreensão, para que o atleta João Derly pudesse disputar a medalha de ouro. Os protestos diminuíram, mas não cessaram e o público assistiu a cerimônia de entrega de medalha da categoria feminino até 52kg de costas e cantando o hino nacional. Ovacionada pela torcida com o grito de "é campeã, é campeã", Érika se emocionou ao receber a medalha de prata.

Após tantos protestos sobre a derrota de Érika Miranda, enfim a luta mais aguardada do dia, a final do peso até 66kg, entre o brasileiro João Derly e o equatoriano Roberto Ibanes. Sempre tomando a iniciativa do combate, João foi pra cima e aproveitou a punição do seu adversário para administrar a luta até o fim e subir no lugar mais alto do pódio, para delírio do público presente.

Ao final do evento, após a vitória de Derly, os atletas brasileiros entraram no ginásio de mãos dadas com os cubanos, em uma bonita confraternização, numa demonstração de verdadeiro espírito esportivo.

E não parou por aí, o Karatê também ajudou a coroar a participação da luta no Pan e contribuiu com mais sete medalhas. A modalidade teve o seu torneio disputado no Centro Esportivo Miécimo da Silva e logo no primeiro dia de competição faturou duas medalhas de ouro e uma de prata. Os responsáveis foram Lucélia Ribeiro - na categoria acima de 60kg, conquistando o tricampeonato dos Jogos Pan-americanos em cima da colombiana Ana Escandon; Juarez Santos, que venceu o venezuelano Mario Toro - na acima de 80kg, conquistando o ouro e Carlos Lourenço - prata na até 65kg. Com o resultado, a atleta Lucélia Ribeiro tornou-se a maior campeã individual do esporte.  Nelson Sandemberg ainda trouxe mais uma de bronze na até 80kg e Valéria Kumizaki, prata na categoria até 53kg.

Na despedida do katatê dos Jogos, foram conquistadas mais duas meda-lhas. Douglas Brose dividiu a terceira
colocação com o dominicano Norberto Sosa, até 60kg, já na categoria entre 65kg e 70kg, Vinicius Souza ficou com o bronze e dividiu o pódio com Alberto Mancebo da República Dominicana.
A Luta Olímpica brasileira foi muito bem representada e conseguiu três medalhas, uma de prata com Luis Fernandes e duas de bronze com Felipe Macedo e Rosângela Conceição. Antoine Jaoude, maior nome da modalidade, ficou fora da disputa de medalha, após sofrer um rompimento parcial do bíceps.

Além de uma boa participação nos Jogos Pan-americanos, às lutas fizeram história, faturando a primeira medalha na greco-romana através de Felipe Macedo e o primeiro pódio feminino com Rosângela Conceição.

Apesar da boa participação dos brasileiros, o domínio da modalidade continuou mesmo com os EUA e Cuba.

Não menos grandioso que a abertura, o encerramento dos Jogos Pan-americanos Rio 2007 fechou com chave de ouro um dos maiores torneios esportivos do planeta, tudo dentro de uma democracia esportiva, onde o principal objetivo foi a confraternização e união dos povos, tarefa nitidamente alcançada.